segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Insônia bruta, meu desassossego

Baluarte é som e é arte, com o perdão do eco. Em parte, é urbano e estradeiro. Em parte é de agora, de ontem e de amanhã. É som, é claro, mas é mais que som. É bom, é a rima do tom, da cor, de alegria e dor. Tem a amizade no meio, como quem sabe que quando canta, bota pra torar. É um molho de músicas, se manifestando através de músicos. Músicos? É bem além: faz a frente com Erick D'Almeida, o peito mole, o cabra bom, menino malemolente. Sente com a mente e o coração, e é de onde saem as porradas de afeição. Mermão, Erick não canta a canção, ele vem junto com ela, guiando cada pedaço de harmonia com os dedos de manteiga da terra, pelos ouvidos indo até o ser da gente. Do lado, Pedro Paz, que na levada do nome, traz a experiência atrelada na boca: quando sopra, é como se, ao invés de som, soltasse um fumo de ardor, e todo mundo pensa: que bênção de canção! Amém. Fazem a cozinha e a sala de soar, três cabras a mais. Thiago e seu violão malicioso, e Adam metendo o pau nos couros, junto com Raoni etéreo pincelando os sinos de vaca e intervenções percussionares. Sem essas três peças-boas, não tinha Baluarte, canção e muito menos arte. Só que vez ou outra essa invenção se reinventa e a rapaziada entra na presepada; nego de baixo passa por cima e vai pra violão, e tem maluco se atrevendo a soprar em flauta ou tamborilar em cavaquin. No balanço do groove, a base se aguenta com fé. No afoxé, na salsa, no xote e no samba; em tudo o mais que o Baluarte faz. Tem uma batida segurante, completamente pra dar o gás nas melodias dos rapazes da frente. Baluarte é pedaço de arte nesse pedaço de terra, Paraíba. Ainda bem!

sentado no banco do coletivo
a vida passa
cenário muda
sai fumaça escura do cano
do caminhão
expõe fuligem na vida cinza
picha cidades, distritos
conurbação

a vida pára segundos, segundos
sinal vermelho não mais que 30 segundos
espero e vejo a lata de tinta verde
despenca cai o tempo inerte
vermelho, vermelho
verde se faz

a vida segue tensão
amarelada
em frente passa o prédio
da namorada
o asfalto negro tornar-se multicolor
desce do coletivo
ao encontro com o amor

talvez encontre o sabor na contramão
o contraponto do amor
o desencontro então
verde vermelho
oscila do amor que cai
no despespero amarelo que a vida vai

(semaforizado, baluarte)

Myspace Baluarte: http://www.myspace.com/espacobaluarte

2 comentários:

Lara disse...

Que coisa linda Dan, é isso, tu descreveu como ninguém... é o que também vejo e ouço.

que bom que voltasse a escrever.

um cheiro ;*

Erick de Almeida disse...

Gostei cabra!
Obrigado pela homenagem... =~
adimiro muito tuas poesias, sou teu fã... e é uma honra pra mim ter a tua aprovação.

vlw dan!
abraço!