Da série "Marília: Poesia"
"Deixa-me te confessar isto: eu te seduzo com estas palavras soltas. Sinto que quando falo contigo, assim, de forma desconexa e cheia de subjetivismo, tu me amas mais, porque sou estranha a ti e a espécie humana que tu te limitas."
Memorília
através do nervo opticular
pelas paredes córneas, cristalinas,
gelatina, aquosa, vitrificada retina
invertida, insistida, escurecida,
se fez, no concílio cerebral
o impulso de Marília.
operacional o vitrificado olho
guardando cerebralmente
na mente a imagem da menina
declarou explicitiva
semanticamente episódica
a memória de Marília
nos têmporos dos lobos laterais
profundamente arraigados
os pensamentos Mariliais
para lá ficarem.
Poesília
solta o facho, aquece
pudesse, Marília Poesia
a blusa apretece, aparece
cabelo encastanhece, flutua
lábio avermelhece, sorrisa
versifica o teu olho com o meu
halifica tua boca com a minha
palavrifica tua inteligência comigo
sentifica a minha alma com a tua
poetifica teu corpo com o meu
me aparece assim, achada,
exultante, exaltada Marília
bronzeada, perfumada
clareada, aquecida Poesília.
Versília
o martírio da emoção
é o globo ocular
o vento que sopra de dentro
é veneno, é veneno
vencendo, dizendo
falando, chamando
clamando, querendo
fazendo, pedindo
insistindo,
existiu
só verso.
versoar
marília.
o martírio da emoção
é o canto, exposto
desgosto da posição
do tempo, o tempo
demora; na espera
marília dorme nela
o martírio da emoção
é versoar Marília.